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O papel da mulher


 

* Artigo escrito por Silvia Bressan

 

A sociedade evolui sempre em pequenos passos, os quais às vezes temos até dificuldade em perceber. Avançamos no século XXI discutindo ainda muitas questões anteriores aos anos 2000. Mas, progressos aconteceram em direitos civis, mercado de trabalho e dinâmica social. E ainda assim muita gente se pergunta: qual deve ser o papel da mulher?   

economista e gerente no VLT Carioca, uma concessão pública de transporte metroferroviário no Rio de Janeiro. Atuo na área de Gestão do Contrato e Arrecadação, em que os desafios são diários, seja pela complexidade do negócio, seja pela relação com o poder público, seja pelo contexto econômico-social, e mais recentemente até sanitário. Mas, ainda assim, estou em uma posição de liderança e, quando olho ao redor, vejo que o cenário tem muito a se desenvolver. 

Pesquisa divulgada pela consultoria Page Executive mostra que a contratação de mulheres para cargos de liderança no Brasil aumentou 20% em 2020. Um crescimento certamente relevante, mas que ainda representa apenas 37% do todo. Este aumento é mais perceptível em setores como varejo, cosméticos e bens de consumo, e em áreas como RH e marketing, sendo inferior, por exemplo, nas áreas de operações e financeiro.  

Os dados deixam claro que os avanços existem. Mas, também mostram que há um longo caminho pela frente. Levantamento do Instituto Patrícia Galvão publicado no fim do ano passado aponta, por exemplo, que 40% das mulheres já passaram por situações de constrangimento, como xingamentos ou gritos, no ambiente de trabalho, contra 13% dos homens. Números que não são agradáveis de acompanhar. 

Se por um lado há cada vez mais presença feminina no mercado, se qualificando e ocupando espaços que eram pouco comuns, muitas ainda lidam com estereótipos sobre maternidade, sexualidade e até mesmo competência em suas carreiras ou empresas. E para falar de mobilidade, como ajudar a abrir caminhos? 

Para ampliar as discussões sobre a presença da mulher, outros temas precisam ser levados em consideração. O crescimento em cargos de direção e a presença em conselhos é, sim, importante, porque reforça conquistas e as apresenta para aquelas que chegam à possibilidade de almejar qualquer espaço. Mas, para que as oportunidades sejam ampliadas e oferecidas de forma mais homogênea, antigas questões precisam de novas soluções. Políticas de inclusão, como a flexibilização do tempo de licença-paternidade, e a própria discussão sobre os papéis e responsabilidades de homens e mulheres nas famílias, o combate a discursos discriminatórios e a revisão de conceitos e pequenos machismos cotidianos arraigados em nossos comportamentos precisam ser pautas de governos e empresas. 

Com ações afirmativas e consciência corporativa é possível que, no futuro, a pergunta inicial deste artigo não seja mais necessária. Se hoje muitas de nós ainda são reconhecidas por serem “multitarefa” e terem que equilibrar a vida pessoal e profissional, a expectativa é que, um dia, esse falso glamour fique para trás. Por outro lado, é positivo olhar para o passado e perceber que, de alguma forma, tanta coisa já mudou. 

Que o papel da mulher no mercado de trabalho seja o da profissional que ela escolheu ser. Independentemente de ser mãe, irmã, esposa ou nada disso. Porque características e vivências fazem parte do que somos. Mas, individualmente, não nos definem.  

 

*Silvia Bressan é gerente de Contrato de Concessão e Arrecadação no VLT Carioca, concessão pública de transporte metroferroviário no Rio de Janeiro

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