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Logística é um substantivo feminino


 

* Artigo escrito por Thais Sangean

 

Sou engenheira e trabalho com logística há mais de 20 anos. Tenho acompanhado de perto as transformações do setor, em especial, o crescimento do protagonismo das mulheres. Quando decidi cursar Engenharia, sabia que iria construir minha carreira numa área de maioria masculina (só para ilustrar: não havia banheiro feminino na minha faculdade!). Mas, nunca me intimidei por isso. Talvez por ter crescido em um ambiente fabril, na indústria do meu avô, hoje com 101 anos e meu exemplo de vida, aquele cenário não era desconhecido nem hostil para mim.

Já na faculdade me interessei pela área de Logística. Iniciei minha carreira como estagiária na Editora Abril, no fim dos anos 1990. Naquela época, toda semana, era montada uma operação de guerra para fazer chegar às bancas e às casas dos assinantes mais de 1 milhão de exemplares da revista Veja. Era preciso muito método - e alguma adrenalina - para garantir a distribuição com a eficiência e a rapidez necessárias. 

Essa bagagem de “chão de fábrica” foi fundamental para o meu trabalho técnico na área de projetos. É muito importante para o profissional de logística ter a prática operacional, de forma a colocar na prancheta o que é realmente factível. Assim como ter uma visão ampla dos processos é outra qualidade essencial para uma formação completa na área.

Profissionalmente, construí essa visão durante os 14 anos que passei na Columbia, hoje TPC Logística, onde tive a oportunidade de trabalhar em todas as etapas do processo logístico do cliente, incluindo operações. Isso me deu uma percepção bem mais abrangente do negócio e me ajudou a desenhar projetos que atendessem às necessidades do cliente, com o melhor custo e prazo, e que gerassem resultados para a empresa.

Há quatro anos, recebi a proposta da Wilson Sons para desenvolver a área de projetos dos Centros Logísticos. Na unidade de negócios, nosso objetivo é oferecer uma solução integrada para o cliente – terminal alfandegado, centro de distribuição e transporte – ou seja, um projeto em que buscamos a carga no porto ou no aeroporto e levamos até o consumidor final, tornando o gerenciamento da operação menos complexo, com um único ponto focal durante todo o processo.

Em 2020, assumi a Gerência Geral dos Centros Logísticos da Wilson Sons. Minha função é integrar todas as áreas internas - operações, projetos, TI, comercial - para oferecer aos clientes as melhores soluções. Mas, não para por aí. Também tenho que planejar o futuro e ficar sempre de olho nas tendências da logística, pois, como sabemos, tudo está mudando rapidamente no mundo.

Hoje tenho o privilégio de trabalhar na área que escolhi e posso compartilhar algumas das minhas realizações aqui. Como mãe de uma menina de 13 anos, acredito que elas precisam ser incentivadas na escola e na sociedade, tanto como os meninos, a seguir a carreira que desejarem, em engenharia, computação, tecnologia ou logística, sem a preocupação se uma determinada profissão é mais ou menos feminina. O caminho ainda parece longo, mas já demonstramos todo o nosso potencial e competência para desenvolver projetos inovadores, criativos e revolucionários. Vamos em frente.

 

* Thais Sangean é Gerente Geral dos Centros Logísticos da Wilson Sons, operadora logística especializada em operações marítimas e portuárias

- https://www.wilsonsons.com.br/pt/grupo