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Liderança feminina na operação do Porto de Itapoá


 

* Artigo escrito por Daniely de Souza

 

Sou natural de Realeza, uma cidade do interior do Paraná, e antes de vir morar em Itapoá, litoral Norte de Santa Catarina, nunca sequer tinha visto um navio na vida. Minha família sempre esteve envolvida com agronomia e agronegócio, mas acabei fazendo faculdade de Administração. Cheguei em Itapoá em 2009, quando as obras do Porto estavam sendo finalizadas e comecei a trabalhar como auxiliar administrativa num mercado local. Com o objetivo de capacitar e contratar moradores do município, o terminal fez uma convocação por carro de som para recrutamento e foi aí que surgiu a oportunidade que deu início a minha carreira no Porto de Itapoá.

Passei pelo processo seletivo e ingressei, em 2011, como assistente de importação e exportação e, no ano seguinte, passei a ser analista de documentação, setores mais  administrativos. Em 2013, com uma reestruturação horizontal da empresa, fui para a equipe de gate – totalmente operacional e predominantemente masculina - tendo contato direto também com os motoristas de caminhão. Foi uma completa imersão no mundo da logística, que exigiu uma boa dose de coragem e adaptação. A primeira mudança foi deixar um pouco a vaidade feminina de lado, já que a operação portuária não combina com salto alto e brincos, por questões de segurança. E também tive que exercitar muito das minhas habilidades comportamentais.

No gate, são dois mundos muito diferentes que se encontram. O mundo organizado e estruturado de uma empresa moderna, como o Porto de Itapoá, e o mundo dos motoristas de caminhão, a maioria de profissionais autônomos, que trazem uma grande carga emocional e de estresse por problemas na estrada e, muitas vezes, por estarem longe das próprias famílias por um longo período. Mas, posso dizer que tenho um carinho muito grande por este público. Às vezes, esse relacionamento pode ser conflituoso, mas também é gratificante ver que, sendo mulher e muito mais jovem que a maioria dos motoristas que chegam aos nossos gates, com profissionalismo, postura e com genuíno interesse de solucionar os problemas, sou solicitada, ouvida e as minhas decisões são respeitadas.

O Porto de Itapoá faz parte de toda a minha trajetória profissional e de minha vida. É uma empresa que preza pela inclusão e diversidade e o Projeto Mulheres Portuárias, o mesmo que me abriu as portas, é um marco dessa cultura desde o início das operações do terminal. Agora, em posição de liderança, procuro retribuir a oportunidade recebida (pela qual sou imensamente grata, mas que foi conquistada por esforço e mérito próprios), colocando como desafio, em cada vaga aberta, que haja paridade entre candidatos homens e mulheres. E as mulheres nunca decepcionam. Sempre conseguimos boas profissionais para ingressar no time. Independentemente de quem entra, sejam profissionais homens ou mulheres, buscamos sempre o perfil "de pessoas que cuidam de pessoas”. Acredito que cuidado e atenção têm que ser levados tanto para o companheiro de trabalho quanto para os parceiros, traders, despachantes, motoristas e demais públicos que atendemos.

Também busco “quebrar barreiras” no que diz respeito às vagas que, por um motivo e outro, nunca foram ocupadas por mulheres. Sempre temos que nos perguntar: por que não há mulheres trabalhando nesta função? Realmente é um trabalho que uma mulher não pode realizar? Considero importante ter cada vez mais mulheres nos mais diversos ambientes e setores e também mais mulheres em cargos de liderança. É uma forma de mostrar, na prática, que nenhum setor ou profissão está fechado para a presença feminina.

Eu mesma, agora como supervisora de operação portuária, sou exemplo disso. Pelo que sabemos do mercado, sou uma das únicas - senão a única - mulher nesta posição nos portos do país. Hoje, são mais de 100 profissionais nas várias equipes sob minha gestão. A grande maioria ainda é de homens, mas vejo que, ano a ano, este cenário tende a ser mais igualitário, não apenas aqui no Porto de Itapoá, mas em todas as empresas dos diversos segmentos logísticos. 

 

*Daniely de Souza é supervisora de operação portuária no Porto de Itapoá, um dos maiores terminais portuários do Brasil - https://www.portoitapoa.com/