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Empresas se unem na logística da vacina


 

Companhias aéreas, Uber, Total Transportes, Tok&Stok e Unimed-BH, entre outras, dão apoio a municípios

 

Fonte - Valor Econômico

 

Foi no dia primeiro de junho que Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, recebeu quatro câmaras de resfriamento para armazenar vacinas contra covid-19. O equipamento, doado pelo Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), elevou em 16% a capacidade de armazenamento de imunizantes do município e evitou que a prefeitura gastasse mais de R$ 40 mil com a compra. A doação foi organizada pela equipe do Unidos Pela Vacina, criado em fevereiro por iniciativa do Grupo Mulheres do Brasil, encabeçado pela empresária Luiza Trajano.

Em meio a um país de dimensões continentais, cresceu dentro do movimento um time de empresários “pesos-pesados” na logística nacional. Executivos da Gol, Azul, Latam, Uber e de transportadoras deixaram a concorrência de lado para trabalhar em prol de um único fim: levar vacina a todos os brasileiros.

Somente a Fiemg já doou 65 câmaras de resfriamento e até julho a estimativa é entregar mais 285 unidades. A doação é uma entre as diversas movimentações no Estado, que contou com ajuda de grupos como Tok&Stok e Unimed-BH, apontou Patrícia Tiensoli, CEO da Total Transportes. Tiensoli, que é líder do Mulheres do Brasil de Minas Gerais, ajudou nos esforços para mobilizar outros empresários.

“Brincamos que trocamos o pneu do carro com ele em movimento”, disse Tiensoli, sobre os desafios para fazer as doações chegarem a quem precisa o quanto antes. Somente em Minas Gerais são 200 parceiros, entre empresas e associações. A logística em Minas Gerais é um desafio por si só. O Estado é o maior em número de municípios no país, são 853.

Segundo Tiensoli, o Unidos Pela Vacina tem relevância ao conseguir dialogar com todas as instâncias. “No início, muitos prefeitos estavam com receio de ser algo político”, disse. O movimento chegou até a provocar uma onda de críticas de grupos bolsonaristas nas redes sociais apontando a ação como um plano político de Trajano para chegar à presidência da República - possibilidade refutada pela empresária por diversas vezes.

Antes de começar os trabalhos, o grupo fez uma extensa pesquisa com as prefeituras de quase todos os 5.570 municípios do Brasil para levantar as principais demandas.

Foi apontado que 40% não têm geladeira com medição de temperatura e alarme em boas condições, equipamento fundamental para armazenar o imunizante.

Em 35%, a sala de vacinação precisa de adequações. Em 19% dos postos não há internet para o registro de imunização; 12% deles não possuem computador. Além de falta de itens básicos como sabonete e papel toalha.

Levantar as demandas foi apenas o início de um árduo trabalho. Cada Estado é representado por um integrante do movimento empresarial e por uma integrante do grupo Mulheres do Brasil.

Antes mesmo do surgimento do grupo, as companhias aéreas assumiram protagonismo. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Latam, Azul, Gol e Voepass transportaram de março de 2020 até o dia 30 de abril deste ano 480 toneladas de alimentos, EPIs e respiradores e 7,2 mil profissionais da saúde de forma gratuita. “É fundamental ampliar e massificar a campanha de vacinação.

É a partir dela que vamos endereçar outros desafios do país, como o desemprego e queda na renda das famílias”, disse Eduardo Sanovicz, presidente da Abear e integrante também do grupo Unidos Pela Vacina.

A Latam destacou-se ao liderar o transporte de imunizantes no país. A empresa respondeu por 52% de todas as doses transportadas desde janeiro, quando começou a imunização, até agora. Foram 42,2 milhões de vacinas sob a responsabilidade da empresa. A distribuição se dá sobretudo pelo aeroporto de Guarulhos, centro da movimentação de vacinas no país sob a coordenação do Ministério da Saúde.

“Capacidade não faltou e não faltará para o transporte de vacina. Todo mundo está trabalhando com essa prioridade. Já fiz escolha de deixar carga no chão e
passar a vacina na frente diante de um voo cheio”, disse Otávio Meneguette, diretor da Latam Cargo Brasil.

Gol e Azul também entraram no time e têm colaborado de forma expressiva no transporte de equipe médica, insumos e vacina.

Antes do Natal, no ano passado, a Azul informou que iria “distribuir de graça qualquer vacina”, disse seu presidente John Rodgerson. “É o que estamos fazendo.

Primeiro temos de matar esse vírus e depois pensar em negócios”, afirmou. A empresa opera em mais de 110 cidades no país, além de 3,5 mil municípios cobertos pela Azul Cargo. “Toda a empresa se engajou”, disse Izabel Reis, diretora da Azul Cargo.

Como forma de facilitar o transporte de insumos na pandemia, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) chegou a liberar até o transporte de encomendas nos bancos das aeronaves (quando não transportando passageiros). A medida foi amplamente usada pela Azul. Além de vacina, a empresa tem transportado itens como oxigênio e kit de intubação.

Rodgerson saudou a iniciativa do Unidos Pela Vacina e demonstrou um tom crítico com os casos de disputas políticas em meio à pandemia. “Eu fico frustrado em ver governos brigando com governos. Em momentos assim, vamos deixar para brigar depois, nas urnas”, disse.

Para além das transportadoras e companhia aéreas em longas e médias distâncias, a operacionalização das vacinas nos territórios urbanos também se mostrou um
problema. Transporte de profissionais da saúde em momentos de pico da pandemia, assim como ajudar a levar pessoas com dificuldade de mobilidade a postos de
vacinação foi um dos pontos atacados pela Uber em todo o Brasil.

A Uber doou apenas neste ano 180 mil viagens no Brasil. A empresa tem parcerias mais firmes com governos como Espírito Santo e Ceará e dialoga com outras parceiras.

“Estamos apenas começando a vacinação. É um compromisso que a Uber assumiu e vai continuar pelo período que foi necessário”, disse a presidente da Uber, Claudia Woods, destacando que não há teto para essa ajuda no país.