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A mulher ocupando espaço em setores que os homens predominam


 

* Artigo escrito por Célia Takano

 

O setor logístico sempre foi considerado predominantemente masculino. Talvez por envolver cargas, equipamentos pesados, caminhões e, por isso, acreditava-se que essas tarefas eram mais alinhadas ao perfil dos homens. Eu trabalho há cerca de três décadas em atividades relacionadas a essa área – em empresas usuárias de logística e, mais recentemente, com logística propriamente dita – e minha experiência mostrou que não há qualquer barreira para que mulheres ingressem neste setor.

Para situar melhor minha trajetória, tenho formação em Tecnologia da Informação e Administração de Empresas e passei por empresas de agronegócios, serviços e indústrias, até chegar, oito anos atrás, ao setor de logística. Minha visão deste segmento foi formada com experiências tanto como usuária de logística quanto de fornecedora de soluções para o segmento. Posso atestar, por experiência própria, que em todas as empresas por onde passei, sempre fui muito bem aceita e tive meu trabalho respeitado. Numa das primeiras empresas em que trabalhei, assumi muito jovem – com 24 anos - um cargo de chefia, liderando uma equipe composta unicamente por homens, muitos deles bem mais velhos do que eu. E não tive qualquer problema de relacionamento ou de questionamento da minha posição.

Vale destacar que as duas áreas em que atuo – Tecnologia da Informação e Logística – ainda têm uma presença masculina majoritária, mas se compararmos com a época em que ingressei no mercado de trabalho, é possível observar um crescimento na participação feminina. Lembro que, no início, quando ia a algum evento de TI, muitas vezes eu era uma das únicas mulheres. Vejo com otimismo que essa participação aumentou, mas ainda estamos distantes da igualdade, principalmente quando se trata de cargos de liderança.

Apesar de não ter sofrido discriminação por ser mulher e ocupar cargos de gestão, observo que as mulheres muitas vezes precisam se esforçar mais do que homens para obterem o mesmo reconhecimento. A mulher, normalmente, já trabalha mais do que o homem, pois, além das atividades profissionais, desempenha os papéis de mãe e dona de casa. Claro que hoje os homens também ajudam nessas funções, mas ainda são tarefas delegadas prioritariamente a nós, mulheres. Para superar esse acúmulo de trabalho, eu procuro sempre estar muito focada, porque meu tempo é contado e, se dispersar, certamente, deixarei de cumprir com alguma obrigação.

Meu percurso profissional me possibilitou acompanhar a crescente importância da TI e da Inovação para as operações logísticas. Hoje, a tecnologia da informação faz parte de todo o processo logístico, considerando o planejamento do transporte e do armazenamento, incluindo o rastreamento do percurso e a entrega. Na Tegma, por exemplo, é dada tanta importância à inovação tecnológica que foi criada uma aceleradora de startups – a tegUp – que está permanentemente em contato com startups focadas no desenvolvimento de soluções para aprimoramento de cada etapa da operação logística. E o fato de eu dirigir tanto essa aceleradora quanto a área de TI e Inovação da Tegma, garante uma natural sinergia entre as áreas.

Para ser franca, nunca me preocupei com a possibilidade de não ser reconhecida ou ser preterida nas promoções por ser mulher. Nas empresas onde atuei, sempre fui a única mulher entre todos os diretores. Para me consolidar na carreira, adotei uma fórmula simples, mas essencial, que aqui compartilho com as leitoras – e vale também para os leitores – como sugestão para quem pretende crescer na carreira:

Em primeiro lugar, é preciso ser apaixonada pelo que se faz. Em segundo,  empenhar-se permanentemente para que cada etapa do trabalho seja bem feita.

Por último – e tão importante quanto as duas anteriores -, é sempre treinar alguém para ficar em seu lugar, porque assim é possível crescer e buscar novos desafios, tendo uma pessoa preparada para te substituir. Com estes três passos – e, claro, sendo uma profissional bem preparada – o crescimento na carreira será uma decorrência natural para qualquer mulher, em qualquer área em que deseje trabalhar.

 

*Célia Takano é diretora de TI e Inovação na Tegma Gestão Logística, operadora logística especializada no setor automotivo e em logística integrada

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