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Os desafios para otimizar a infraestrutura logística nacional

Problemas de infraestrutura, pouca clareza tributária, falta de mão de obra especializada e de integração entre os modais. De modo geral, esses são alguns dos principais desafios levantados por profissionais de logística quando questionados sobre o que poderia ajudar no avanço do setor no Brasil.

Divulgado a cada dois anos, o último levantamento do Índice de Desempenho Logístico (LPI) feito pelo Banco Mundial não trouxe notícias animadoras para o Brasil. Localizado na 56ª posição, o País perdeu uma posição em comparação com o levantamento anterior, de 2016, quando figurava na 55ª posição entre as 160 nações avaliadas.
 

Enquanto aguardamos a divulgação do próximo LPI, encaramos uma pergunta que é uma velha conhecida do setor logístico brasileiro: quais são os desafios para otimizar a infraestrutura logística do país, e como superá-los na prática?

A resposta não é simples e nem definitiva, já que, assim como praticamente todos os aspectos das variadas atividades econômicas e sociais, a logística também muda e busca se adequar de acordo com as transformações e novas tecnologias.


Especialista em logística crê que unimodalidade atrapalha o setor


Problema apontado há décadas por especialistas do setor, a alta concentração da atividade logística brasileira no modal rodoviário apresenta obstáculos que por vezes dificultam sua otimização. Com rodovias em condições irregulares e alto custo de abastecimento, manutenção e pedágios, o modal — vital e indispensável para o país — acaba tendo sua capacidade subexplorada.

O resultado é uma maior dificuldade para o escoamento das mercadorias no extenso território nacional e, consequentemente, maiores despesas e dificuldades para os profissionais envolvidos no processo, assim como um aumento do preço da mercadoria que chega ao consumidor final.

Mestre em Administração, especialista em Controladoria e Gerência Financeira e professor de Logística pela Unicesumar, de Maringá-PR, o professor Adriano Aparecido de Oliveira acredita que uma das soluções possa estar na união de modais variados para garantir uma logística mais eficiente e sustentável.

“No Brasil, aproximadamente 60% dos transportes realizados são concentrados no modal rodoviário. A alta concentração de carretas, caminhões, bitrens e similares nas rodovias do país acaba aumentando muito o tráfego, o que se reflete diretamente nos custos logísticos, tornando a movimentação de cargas mais cara e lenta”, explica o professor. 

“Existem algumas alternativas para este fato, como viabilizar a infraestrutura ferroviária e hidroviária no Brasil, pois esses modais tem um potencial muito grande a ser explorado, mas isso depende diretamente de investimentos relacionados à infraestrutura”, afirma.


Buscando soluções práticas e eficientes para a logística nacional


Publicado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) em 2018, o documento “Panoramas  Setoriais 2030: Logística”, destaca em sua conclusão reflexões importantes sobre ações que devem ser tomadas para que a logística nacional, um dos mais importantes aspectos do PIB brasileiro, possa continuar se desenvolvendo e superando os atuais desafios.


“Os pilares necessários a essa atuação residem, entre outros fatores, na estrutura de planejamento de longo prazo amparada por uma contabilidade econômica, financeira e ambiental que possa ser defendida interna e externamente; na estruturação de marco regulatório setorial que forneça segurança econômica e jurídica aos investidores e incentive a propensão a investir; na atração do capital privado, na diversificação de funding e no incentivo ao investimento estrangeiro, com a utilização mais difundida de procedimentos de planejamento e licitatórios usualmente aceitos”, diz a publicação.

Para o professor Oliveira, as dificuldades mais observadas pelos players do setor logístico brasileiro podem ser contornadas nos próximos anos, mas isso demandaria a realização de algumas ações que possam efetivar os apontamentos em ações práticas. Ele explica:

“Para lidar com esses desafios, é necessário primeiramente que o governo federal realize investimentos em infraestrutura logística, para melhorar as nossas rodovias, ferrovias e potencializar a utilização do modal hidroviário/ marítimo. Isto perpassa também por investimentos que são necessários nos principais portos brasileiros. O caminho mais adequado, considerando o cenário econômico atual do país, seria fomentar as parcerias entre o setor público e privado, por meio de incentivos fiscais”.

Ainda de acordo com o docente, o momento de instabilidade vivenciado em todo o mundo pode ser encarado de forma positiva pelas empresas do setor, já que valiosas lições podem ser aprendidas e colocadas em prática com a situação enfrentada na atualidade.

“As empresas precisam adotar uma postura preventiva, realizando investimentos em sistemas logísticos, na combinação de modais de transportes, apostando nas boas práticas existentes no mercado e também adotando medidas de segurança, para reduzir eventuais prejuízos sobre a cadeia de suprimentos”, completa o especialista.

 

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